01/07/2018

ENTRELINHAS

Eu, que nunca duvidei da minha complicação, de todas as ideias estranhas que brotam na minha cabeça em pleno café da manhã e da mania de tentar enxergar as palavras além do que elas significam, talvez tenha percebido que não era sobre a complicação em si. Era sobre as minhas entrelinhas. Sobre o que meus olhos sempre dizem, e como eles me traem, tentando explicar o que veem quase sempre não da forma como eu queria. Como folhas grudadas em um caderno velho, que passam despercebidamente por alguém que não tenha capacidade de enxergar além de um sorriso ou de uma respiração pesada.
Talvez as minhas entrelinhas também sejam complicadas, misturando o disco novo do Vance Joy com o meu favorito do Oasis, mas o fato é de quando, e como, alguém consegue ver elas. Entender elas. A minha perspectiva, ou a minha constante como prefiro dizer, é um tanto quanto diferente, porque eu não dou a mínima para onde alguém pode me levar, eu nem se quer tenho paciência. Eu quero é saber os detalhes pequenininhos, as histórias das cicatrizes, sabe? A tarde do verão esperando o por-do-sol laranja, as mãos entrelaçadas, e principalmente, a capacidade de enxergar uma pessoa além do que ela aparenta. A sabedoria de decifrar um sorriso quando ele for triste, porque isso pode acontecer umas trinta e sete vezes no mesmo dia, com umas trinta e sete pessoas diferentes. Às vezes um "não", pode significar um "com certeza", e uma escolha mude o sentido das coisas. Um conselho? Nunca tenha expectativas.
As pessoas deveriam prestar atenção nessas coisas, todas elas. Todas as coisas e todas as pessoas. Sabe, o lance da complicação nem sempre precisa ser dessa forma, porque se todas as pessoas fossem complicadas assim, calma, se toda complicação significasse ser capaz de ler uma entrelinha e conseguir lidar com ela depois, eu queria que todo mundo fosse complicado também. Tão complicado quanto esse texto, afinal.

09/04/2017

OS 13 PORQUÊS, JAY ASHER

Eu comecei a ler Os Treze Porquês antes das minhas provas regimentais do ano passado, e por isso eu precisei parar de ler na metade, o que foi bem difícil, porque é um livro realmente maravilhoso! Ele virou uma série produzida pela Netflix, que estreou no último dia 31, então esse título deve estar bem fresquinho na sua cabeça, certo? O mais engraçado é que não é uma leitura longa, mas você vive tanta coisa dentro das páginas que vira um daqueles aprendizados pra gente levar pra vida. Ele vai fazer você enxergar as coisas bem diferentes, talvez de uma maneira que você nunca tenha parado para imaginar.
Ao voltar da escola, Clay Jensen encontra um misterioso pacote com várias fitas cassetes. Ele ouve as gravações e se dá conta de que foram feitas por uma colega de classe que cometeu suicídio duas semanas antes. Nas fitas, ela explica que 13 motivos a levaram à decisão de se matar. Clay é um deles. Agora ele precisa ouvir tudo até o fim para descobrir como contribuiu para esse trágico acontecimento.
A história vai rodar em torno do nosso protagonista Clay Jensen, que encontra um pacote de fitas ao voltar do colégio, e não entende o motivo. As fitas foram enviadas por Hannah Baker, mas com um contratempo: agora ela está morta. Deixando fitas com motivos que a levaram ao suicídio. A regra é simples, quem recebe precisa escutar e depois repassar para o próximo nome na lista, e Clay não faz ideia do porque o nome dele está no meio desses, afinal Hannah era sua amiga.
- Como você está se sentindo hoje?
- Nesse exato momento?
- Nesse exato momento.
- Nesse exato momento, me sinto perdida, eu acho, meio vazia.
- Vazia como?
 Simplesmente vazia. Simplesmente nada. Não me importo mais.
Todo o suspense é gerado ao escutar o que Hannah conta sobre cada uma das pessoas, sobre Justin, Jessica, Alex, cada uma delas. A agonia, o medo, a insegurança que ninguém sequer percebia quando ela estava viva, é possível encontrar em cada fita gravada. Porquês que Clay nem sonhava, e agora precisa confiar nas palavras da garota. Os diálogos criados entre eles, e a forma como Jensen conversa com ela, foi o ponto que mais me deixou intrigada, juntamente com as confissões, que me foram me deixando cada vez mais nervosa.
Era exatamente isso que eu queria pra mim. Queria que as pessoas confiassem em mim, apesar de qualquer coisa que tivessem ouvido. E, mas do que isso, que me conhecessem. Não aquilo que pensavam saber a meu respeito. Mas eu de verdade.
Esse livro me fez ganhar uma perspectiva nova sobre as pessoas e sobre cada detalhe que alguém pode estar enfrentando. Todos os dias, alguém está encarando uma batalha, e você não sabe nada à respeito disso. E sabe o que é pior? Existem Hannah's incontáveis ao redor do mundo, e elas só precisavam de alguém pra estar perto, de alguém que dissesse "Ei, é normal se sentir assim de vez em quando, não é errado precisar de ajuda, e ainda assim, está tudo bem". Me fez repensar em como não se importam com os outros e em como não conseguem enxergar quem somos de verdade. Talvez seja tudo sobre começar a aceitar o outro como se é, sobre apoiar o próximo, e sobre dar expectativas bonitas a alguém. Tem Hannah's que ainda podemos salvar, tudo bem?
"Às vezes não tem ninguém em volta para mandar você ficar quieto...
às vezes você só precisa ficar em silêncio quando está completamente sozinho. Como eu, agora, nesse instante. Shh!"
   
Eu prometo que vale cada página, sério, você também vai tirar grandes aprendizados dessa leitura, e eu espero que goste tanto quanto eu, é um dos meus favoritos agora. Ah, e não esquece de assistir as treze fitas lá no Netflix, eu estou na metade, e já estou orgulhosa de todo o trabalho.

Classificação:
Eu li ouvindo:
Happier, Ed Sheeran.
More than gravity, Colin e Caroline (essa está na trilha da série, um amorzinho).
Daughters, John Mayer.
Bad Reputation, Shawn Mendes.

10/01/2017

2016 FEELINGS

Foi perder o medo de dançar, mas ainda sem saber andar de bicicleta. Foi adeus com sabor de boas vindas, e desapego que trouxe novos lugares. Foram amizades virtuais para conhecer em breve, e amigos para comemorar o décimo ano, foi completar vinte, descumprir metas e ainda assim fazer uma lista nova. Foi o beijo inesperado, foi esperar na fila de um show e começar How I Met Your Mother. Foi o abraço caloroso de quem eu julgava ser uma pedra de gelo, o meu recorde literário e uma black friday inteira só para comprar livros novos, foi conhecer Tyler Maddox. Ver pessoas ganhando estrelas, e outras virando uma própria no céu. Foi aquele final de semana inteiro acordada, e foi dormir sexta para acordar domingo à noite. Rever velhos conceitos, ideias novas e ouvir a minha alma, foi escutar a chuva na janela e fotografar meus próprios pés. Foram mais dois semestres na faculdade, e foi se apaixonar por uma causa nobre, e se apaixonar mais um pouquinho pela vida também. Foi dor, angústia e chorar por quem estava em outra órbita, foram novos ataques terroristas e coisas sem cabimento que não faziam sentido, porque ninguém explica algo maior que nós. Foi amor, risada alta e música boa. Se preocupar com quem mora na outra ponta do Brasil, e muitas vezes querer não precisar sair da zona de conforto. Foi ouvir The Chainsmokers mais de cento e cinquenta dias, e desejar que o verão nunca acabasse. Foram lágrimas de tristeza, e outras incontáveis de alegria. Foi se perder por dentro, e se perder em São Paulo também, conhecer pessoas diferentes, sair com amigos dos meus amigos e sentir saudade do meu avô e da escola. Foi fazer uma tatuagem e tirar as paredes coloridas do meu quarto. Foi orgulho, mas também se decepcionar. Foi loucura, mas não aquela pra ter medo, foi se arrepiar, o zoológico inteiro na barriga, foi voltar atrás nas coisas que eu realmente queria, logo eu, de escorpião, orgulhosa mesmo. Mas sabe, me trouxe coisas que eu jamais poderia compreender se ele nunca existisse, porque foi continuar tentando me descobrir. Dia após dia. Foi saber que eu não serei assim ano que vem e nem no outro, porque eu só me deixei ir, então serei diferente, o quão diferente eu só posso te contar em outro janeiro. Enquanto isso, as coisas começaram de novo por aqui.